A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% ao ano, anunciada na quarta-feira (17), impacta a renda fixa no Brasil. Com títulos públicos e privados oferecendo alta rentabilidade, investidores que preferem menor risco encontram retornos próximos a 15% ao ano, dificultando a busca por ações que paguem dividendos superiores ao CDI, atualmente em 14,90%.
Conforme levantamento da Economatica, apenas quatro ações de três empresas distintas que fazem parte do Ibovespa conseguiram, nos últimos 12 meses até o dia 11 de setembro, dividendos acima do CDI.
Isso evidencia a seletividade no mercado de dividendos em um cenário de juros altos.
As campeãs do dividendo
A maior surpresa é a PetroReconcavo (RECV3), que lidera o ranking com dividend yield (DY) de 16,87% em 12 meses.
Em segundo lugar está a Petrobras (PETR4), com ambas as classes de ações oferecendo altas remunerações: PETR4 com 16,55% e PETR3 com 15,26%. A lista é completada pela CSN Mineração (CMIN3), com 16,37%.
Quanto R$ 50 mil renderam em dividendos
Se um investidor tivesse aplicado R$ 50 mil em cada uma dessas ações há um ano, ele teria recebido entre R$ 7,6 mil e R$ 8,4 mil em dividendos líquidos ao longo de 12 meses, sem considerar a valorização ou desvalorização das ações.
- PetroReconcavo (RECV3): R$ 8.435 em dividendos;
- Petrobras (PETR4): R$ 8.275 em dividendos;
- CSN Mineração (CMIN3): R$ 8.185 em dividendos;
- Petrobras (PETR3): R$ 7.630 em dividendos.
Dividendos x renda fixa: o desafio do investidor
O levantamento indica que a renda fixa se tornou uma concorrente difícil de superar. Mesmo grandes empresas como Petrobras e CSN Mineração, em certos períodos, conseguem oferecer retornos acima do CDI. Porém, a lista de ações que fazem isso é restrita e reflete condições específicas de fluxo de caixa e estratégias de distribuição.
Para investidores em busca de renda, dividendos ainda são uma estratégia válida, especialmente no longo prazo, quando se levam em conta também a valorização das ações.






