Os japoneses ajudaram a erguer a Usiminas (USIM5) há quase 70 anos, durante o esforço do governo de Juscelino Kubitschek para criar uma indústria siderúrgica no Brasil. No entanto, agora estão de fora da companhia.
As japonesas Nippon Steel e Mitsubishi Corporation estavam entre os principais acionistas da Usiminas até esta quarta-feira (5), mas fecharam um acordo para vender toda a sua participação na companhia brasileira para o grupo ítalo-argentino Ternium.
A transação envolve 21,7% das ações ordinárias da Usiminas (USIM3). Isto é, 153,1 milhões de papéis que foram vendidos por US$ 2,06 cada (pouco mais de R$ 11 na cotação atual), totalizando US$ 315,2 milhões (quase R$ 1,7 bilhão).
O preço é superior à cotação atual do papel (as ações ordinárias da Usiminas estavam cotadas a R$ 5,44 no fechamento de terça-feira, 4), já que foi definido em 2023, quando a Ternium fechou um acordo com a Nippon Steel para assumir o controle da Usiminas.
O acordo de 2023
Naquele período, as empresas afirmaram que a Usiminas precisava de “uma liderança mais forte por qualquer dos referidos acionistas” para continuar crescendo em meio a um ambiente desafiador de negócios.
Nos bastidores, o rumor indicava que o estilo de gestão dos japoneses e dos argentinos era muito distinto, o que contribuiu para o acordo. A Ternium destacou que sua extensa rede na América Latina seria benéfica para os negócios.
Em 2023, a Ternium comprou 68,6 milhões de ações da Usiminas que estavam nas mãos dos japoneses, por R$ 687 milhões. Assim, a companhia passou a deter 49,5% das ações ordinárias da siderúrgica brasileira, além do direito de indicar o presidente e a maioria dos seus conselheiros.
O acordo ainda estipulava que a Ternium poderia adquirir as demais ações dos japoneses a qualquer momento após o segundo aniversário da transação, o que ocorreu nesta quarta-feira (5).
E agora?
O grupo passou a deter 71,02% das ações ordinárias da Usiminas, equivalente a 92,95% do grupo de controle da empresa (os outros 7,1% pertencem à caixa de previdência dos funcionários da Usiminas).
Em nota, a empresa afirmou que “este investimento adicional reforça ainda mais o compromisso da Ternium com a Usiminas e com o mercado siderúrgico brasileiro”.
A Ternium ressaltou que continuará trabalhando para levar a Usiminas ao seu pleno potencial, comprometendo-se a aprimorar sua competitividade e valor, no melhor interesse da Usiminas e de todos os seus stakeholders.
A Nippon Steel informou que manteria o mercado atualizado sobre os desdobramentos da operação, uma vez que a conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Para analistas, o negócio simplifica a estrutura corporativa da Usiminas, o que pode acelerar decisões estratégicas, mas também levantar discussões sobre um possível fechamento de capital, ou seja, a possibilidade de a Usiminas sair da lista de empresas que estão de saída da B3.






