Por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão, a maior punição entre o total de oito réus condenados nesta quinta-feira (11) pela maioria dos ministros que formam a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão, inédita na história brasileira, ocorreu após seis dias de longas sessões de julgamento. Dos cinco ministros que compõem o colegiado, quatro votaram pela condenação: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

A exceção foi o ministro Luiz Fux, que acolheu os argumentos da defesa e votou pela absolvição de Bolsonaro. Assim, o placar foi de 4 a 1, com a Primeira Turma do STF reconhecendo que Bolsonaro liderou uma “organização criminosa” para impedir o cumprimento do resultado eleitoral de 2022 e se manter no poder.

Jair Bolsonaro

  • O ex-presidente teve condenação de 27 anos e três meses de prisão, sendo 24 anos e nove meses de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, em regime fechado.

Mauro Cid

  • O tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso, teve condenação de dois anos de prisão em regime aberto. Apesar dos benefícios da delação premiada, o ministro Alexandre de Moraes negou o perdão judicial, afirmando que crimes contra a democracia não têm anistia.

General Braga Netto

  • O general quatro estrelas Braga Netto, também ex-ministro da Defesa e então vice na chapa de Bolsonaro nas eleições 2022, teve condenação de 26 anos e seis meses de prisão, sendo 24 anos de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, em regime fechado.

Anderson Torres

  • O ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro teve condenação de 24 anos de prisão, sendo 21 anos e seis meses de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, em regime fechado.

Almir Garnier

  • O ex-comandante da Marinha do Brasil, Almir Garnier, teve condenação de 24 anos de prisão, sendo 21 anos e seis meses de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, em regime fechado.

General Augusto Heleno

  • O general Augusto Heleno, também ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro, teve condenação de 21 anos de prisão, sendo 18 anos e onze meses de reclusão e dois anos e um mês de detenção. O regime inicial de cumprimento é fechado.

General Paulo Sérgio Nogueira

  • O general Paulo Sérgio Nogueira, então comandante do Exército Brasileiro até o fim do governo Bolsonaro, teve condenação de 19 anos de prisão, embora o ministro Alexandre de Moraes tenha proposto uma punição maior inicialmente, mas acabou seguindo a sugestão do ministro Flávio Dino.

Alexandre Ramagem

  • O deputado federal Alexandre Ramagem, também ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), teve condenação de 16 anos de prisão, um mês e quinze dias de prisão. Sua pena foi atenuada por sugestão da ministra Cármen Lúcia, ao considerar seu afastamento do governo Bolsonaro em 2022.

O que acontece agora?

A Primeira Turma do STF continua o julgamento para definir a pena de cada réu. Fatores como a posição de liderança, o uso de violência, a motivação dos crimes e a reincidência dos réus são considerados na decisão.

A discussão começou nesta quinta-feira (11), mas a expectativa é que a sentença seja definida na sexta-feira (12). A defesa de Bolsonaro deve recorrer da decisão, com base nas divergências apresentadas pelo ministro Luiz Fux. Assim, a sentença só será cumprida após o julgamento de todos os recursos.

By davy