Em relatório divulgado aos investidores, os analistas da instituição destacam que a empresa — dona das marcas Olympikus e Under Armour no Brasil — deve entrar em um novo ciclo de expansão de rentabilidade, após um período marcado por investimentos intensivos em capacidade produtiva e posicionamento de marca.

Segundo o UBS BB, o aumento de 20% no número de funcionários em 2025, que pressionou as margens no curto prazo, tende a se estabilizar a partir do terceiro trimestre, abrindo espaço para uma retomada mais robusta dos ganhos a partir de 2026. O banco acredita que esse movimento de recuperação ainda não está plenamente precificado pelo mercado.

Marcas fortes e agilidade operacional como trunfos

O banco também enxerga fundamentos sólidos no modelo de negócios da Vulcabras. A companhia atua de forma verticalmente integrada, com controle direto sobre o desenvolvimento dos produtos, fabricação local e canais de distribuição — o que permite resposta ágil às mudanças de demanda.

O tempo médio de lançamento de novos modelos no mercado é de cerca de 4 meses, significativamente menor que o de grandes concorrentes globais.

Esse diferencial competitivo tem impulsionado a ganhos de participação de mercado, especialmente no segmento de calçados esportivos.

A Olympikus, por exemplo, foi a marca mais usada na Maratona Internacional de São Paulo, com 29% de participação entre os corredores — impulsionada pelo sucesso do tênis “Run”, que já representa mais de 20% da receita total da Vulcabras e é o calçado esportivo mais utilizado por corredores brasileiros na plataforma Strava.

Além disso, a empresa opera em um setor de artigos esportivos avaliado em R$ 32 bilhões, com destaque para o crescimento acelerado da categoria de calçados esportivos, hoje responsável por 58% do mercado.

Potencial de crescimento nos lucros e dividendos

A expansão das vendas diretas ao consumidor (DTC) e a entrada de novas marcas devem contribuir para diversificação da receita e melhora do mix de produtos.

O UBS BB estima um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de +11% para a receita nos próximos cinco anos, com destaque para um avanço do lucro por ação (EPS) na ordem de 10% ao ano.

Margens devem voltar a crescer

Após o ciclo de expansão entre 2024 e 2025, os analistas não preveem novas contratações em larga escala, o que deve permitir a retomada da expansão das margens operacionais, apoiadas por alavancagem operacional, gestão eficiente de estoques e crescimento do canal direto.

A margem Ebitda, estimada em 21,2% para 2025, deve subir gradualmente para a faixa de 22% a 23% no longo prazo, apontam os especialistas.

By davy