Os ETFs, fundos de índices negociados na bolsa de valores, têm atraído cada vez mais investidores no Brasil. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou a intenção de investir até R$ 1 bilhão em ETFs, dentro da sua estratégia de retomar os investimentos em renda variável e fortalecer o mercado de capitais brasileiro por meio do BNDESPAR (BNDES Participações).
O BNDES já investe em ações, debêntures e fundos de investimentos, e decidiu apostar em ETFs por entender que os fundos de índices “oferecem vantagens em relação aos fundos de investimento tradicionais”.
Veja as vantagens citadas pelo BNDES:
- “São mais simples, ao proporcionar a diversificação de uma cesta de ativos por meio de um único investimento, e menos onerosos, em razão da gestão passiva, ligada a um índice”;
- “Também oferecem maior liquidez que as cotas de fundos de investimentos tradicionais, já que suas cotas são negociadas diariamente na bolsa, sem a necessidade de prazos longos de resgate”;
- “A transparência é outro diferencial, pois tanto a metodologia para a formação do índice de referência quanto a composição do fundo são estabelecidos por parâmetros objetivos, regulamentados e podem ser consultados a qualquer momento por qualquer interessado”.
O BNDES notou, no entanto, que, apesar desses diferenciais e do crescimento observado nos últimos meses, “os ETFs ainda não têm no Brasil a mesma difusão observada em mercados mais desenvolvidos”. Por isso, espera contribuir com o fortalecimento desse mercado a partir do novo investimento.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que, “com esta iniciativa, o BNDES reforça o reconhecimento da importância dos ETFs como instrumentos de investimento, com grande potencial de crescimento no Brasil”.
Segundo ele, “é tarefa de um banco público apoiar o fortalecimento e a democratização do mercado de capitais, contribuindo para impulsionar a reindustrialização e a inovação, que são prioridades do governo do presidente Lula”.
O BNDES lembrou que este não será o seu primeiro investimento em ETFs. O banco participou da criação do PIBB11, o primeiro fundo de índice brasileiro, em 2004, e do ECOO11, vinculado ao ICO2 (Índice Carbono Eficiente), em 2012. Além disso, investiu no ETF de diversidade DVER11 em 2024.
A indústria de ETFs no Brasil
Segundo dados da B3, havia R$ 69 bilhões investidos em ETFs no Brasil no final de setembro. O patrimônio dessa indústria disparou 40,5% em 12 meses, devido sobretudo à atração de novos investidores.
Ainda de acordo com a bolsa, os ETFs contavam com cerca de 841 mil investidores no Brasil no final de setembro, sendo 666,5 mil pessoas físicas.
Os ETFs mais populares no Brasil são os internacionais, de renda variável e fixa, mas também há ETFs nacionais e de criptomoedas disponíveis na B3.
Na prática, os ETFs permitem que os investidores acompanhem de forma simples o desempenho de índices, como o Ibovespa, o S&P 500 ou índices setoriais, de renda fixa, commodities e criptomoedas. Para garantir essa exposição na carteira, basta comprar a cota do ETF ao invés de adquirir todos os ativos desses índices.
Quais ETFs vão receber o aporte?
O BNDES vai distribuir o investimento em até cinco ETFs de ações, renda fixa ou híbridos.
A ideia é investir até R$ 200 milhões em cada fundo ao longo de 2026, somando até R$ 1 bilhão.
O valor de cada aporte pode variar, pois o banco pretende manter uma participação máxima de até 50% no patrimônio dos fundos investidos.
Os fundos serão selecionados por meio de uma chamada pública, aberta nesta quinta-feira (29).
Os interessados em receber o aporte podem enviar suas propostas para o BNDES até 5 de dezembro. O banco vai avaliar as propostas considerando os seguintes critérios:
- Equipe do fundo e avaliação do gestor;
- Benefícios e importância do investimento;
- Estratégia e governança;
- Estrutura de custos.
O resultado da seleção será divulgado até março de 2026, para que os investimentos sejam realizados ao longo do próximo ano.






