
O resultado representa uma desaceleração em relação a setembro, quando o índice havia subido 0,48%, e é o menor para um mês de outubro desde 1998, quando foi registrado 0,02%. No acumulado do ano, o IPCA soma uma alta de 3,73%, enquanto nos últimos 12 meses, a variação é de 4,68%.
A principal influência negativa no resultado foi a energia elétrica, que caiu 2,39%, removendo 0,10 ponto percentual (p.p.) do índice do mês. Segundo o IBGE, essa redução se deve à mudança na bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para vermelha patamar 1, que diminuiu o custo adicional na conta de luz.
Quais grupos contribuíram para a desaceleração do IPCA?
De acordo com o IBGE, o grupo de alimentação e bebidas, que tem o maior peso no índice, apresentou estabilidade em outubro, com variação de apenas 0,01%. A alimentação no domicílio caiu 0,16%, com destaque para as quedas do arroz (-2,49%) e do leite longa vida (-1,88%). Entre as altas, destacaram-se a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%).
“As surpresas com as quedas foram evidentes, principalmente nos grupos de alimentação no domicílio e de bens industriais. Em 12 meses, a alimentação no domicílio acumulou alta de 4,53%, desacelerando em relação aos 5,97% do mês anterior”, enfatiza Lucas Barbosa, economista da AZ Quest.
Nos bens industriais, a alta foi de apenas 0,03%, ante expectativa de 0,24%. Já os serviços avançaram 0,41%, também abaixo da projeção de 0,43%. Os núcleos subjacentes de serviços subiram 0,33%, contra os 0,40% esperados.
Outros grupos que contribuíram para a desaceleração da inflação foram Habitação, com queda puxada pela energia elétrica residencial, e Comunicação, que registrou recuo de 0,42%. Por outro lado, Vestuário (0,51%) e Saúde e cuidados pessoais (0,41%) tiveram aumentos mais expressivos.
De acordo com o economista da AZ Quest, o cenário de desaceleração inflacionária é positivo para o mercado, especialmente em relação aos preços na categoria de bens industriais, que foram influenciados pela melhora do câmbio.
Ele acrescentou que, embora os serviços ainda operem em níveis altos, há sinais de moderação. “Os serviços permanecem em patamares incompatíveis com a meta, mas a inflação de bens e alimentos tem desacelerado de forma consistente, o que poderá beneficiar os serviços por inércia”, avalia Barbosa com base no IPCA de outubro.






