
O Ebitda recorrente da Braskem somou R$ 818 milhões entre julho e setembro, o que representa uma queda de 65% em relação ao ano anterior, mas um aumento de 104% em comparação ao segundo trimestre. A receita líquida totalizou R$ 17,3 bilhões, cerca de 20% abaixo do desempenho de 2024.
Apesar da redução na receita, os investidores mostraram uma reação positiva ao avanço operacional e às medidas anunciadas pela empresa, incluindo um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas, que encerra disputas judiciais relacionadas ao afundamento do solo em Maceió e alivia incertezas sobre a estrutura societária da companhia.
Por que os resultados da Braskem (BRKM5) foram positivos para o mercado?
Segundo relatório do UBS BB, o desempenho da Braskem foi considerado “fraco, mas dentro das expectativas” em um cenário desafiador para o setor petroquímico global. O banco destacou que a companhia já consumiu US$ 1,1 bilhão em caixa nos primeiros nove meses do ano, levantando preocupações sobre a geração de caixa.
No entanto, a instituição apontou cinco fatores externos que ajudam a reduzir riscos: o avanço do projeto de lei PRESIQ no Congresso, notícias sobre a possível resolução da estrutura acionária, medidas antidumping, o acordo com o Estado de Alagoas e a renovação de tarifas de importação. “Esses fatores são pré-condições para um retorno à geração de caixa no futuro próximo”, afirmou o relatório.
Apesar do progresso recente, o UBS BB manteve recomendação neutra para as ações BRKM5, com preço-alvo de R$ 10 por papel. Segundo o banco, o caminho para a recuperação da petroquímica ainda pode enfrentar “volatilidade e incerteza significativas”.
O BB Investimentos também avaliou os números como um sinal de melhora operacional. Em seu relatório, destacou que o acordo com Alagoas “pode significar uma importante mitigação de riscos, liberando a venda do controle da companhia”. A instituição manteve o preço-alvo de R$ 14 para 2026, mas revisou a recomendação para neutra, anteriormente classificada como venda, citando menores riscos estratégicos e jurídicos.
Mesmo com os avanços, o BB alertou sobre a alta alavancagem da Braskem (BRKM5), que passou de 10,6 vezes para 14,8 vezes o Ebitda, assim como a continuidade da queima de caixa. Contudo, destacou que o alongamento da dívida e a liquidez reforçada com o saque de uma linha de crédito de US$ 1 bilhão oferecem um alívio financeiro.






