A avaliação do mercado
Para o mercado, o recado foi claro: a Selic só deve começar a cair em 2026 e o primeiro corte pode não ser em janeiro, ficando apenas para março.
“O Banco Central optou por reforçar a mensagem de vigilância e prudência, reconhecendo os avanços no combate à inflação, mas sem abrir espaço, por ora, para uma flexibilização da política monetária”, comentou o economista-chefe da Nomos, Beto Saadia.
Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, alguns analistas acreditavam que os juros poderiam começar a cair já na próxima reunião do Copom, em dezembro de 2025. Essa aposta já vinha perdendo força e passando para janeiro de 2026. Mas, agora, pode passar para março de 2026.
“Em dezembro, é muito improvável. E janeiro também fica um pouco mais improvável depois da manutenção do ‘período bastante prolongado’ no comunicado do Copom”, disse o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz. “O tom do comunicado tende a postergar esse movimento”, reforçou Saadia.
Segundo os analistas, entre os fatores que sustentam essa postura mais cautelosa estão o setor de serviços ainda aquecido, o impulso fiscal elevado e a força do mercado de trabalho. Além disso, esta seria uma forma de o Copom ajudar a levar as expectativas de inflação de volta à meta.
A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. O mercado, contudo, espera que a inflação suba 4,55% em 2025, 4,20% em 2026 e 3,80% em 2017, segundo o Boletim Focus.
Janeiro ou março?
A XP Investimentos acredita que “as próximas leituras de inflação e atividade deverão convencer o Copom de que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Assim, em 2026, não será necessário manter o mesmo grau de aperto vigente em 2025”.
A casa acredita que os juros começarão a cair em março de 2026, chegando a 12% no final do próximo ano, após seis cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual.
Já a Monte Bravo Investimentos acredita que um recuo da inflação ainda pode levar o Copom a rever esse plano de voo e começar a cortar os juros já em janeiro de 2026.
A casa, no entanto, reconheceu que, no comunicado desta quarta-feira (5), o Copom — ao contrário do que esperávamos — sinalizou a continuidade da postura contracionista por um tempo mais longo.






